Arquivo

A história dos acessórios e sua evolução no varejo

Se você não parar para pensar, talvez nem imagine que, assim como as vestimentas, os acessórios também tiveram seu papel importante no mundo da moda e no varejo. Eles podem ser maxi, geométricos, com mesclas de materiais, com referências retrô ou não. O que a história nos mostra é que eles sempre fizeram parte do dia a dia da mulher das mais diversas maneiras e hoje contribuem para compor um look atual e, muitas vezes, representando um estilo.

Seus materiais são os mais variados possíveis. Há peças, por exemplo, com toques manuais, como o crochê, que torna o look mais artesanal, lembrando o boho dos anos 1970. Essa técnica foi utilizada, por exemplo, em 2016, nos produtos da rede Morana, o que mostra que tendências sempre vão e vêm também quando o assunto são as bijoux.

Peças elaboradas manualmente ganharam grande repercussão no Renascimento, época em que surgiram os primeiros artesãos. Mas as primeiras marcas da alta joalheria, que nasceram justamente a partir da criação de peças trabalhadas a mão, só foram surgir no século 19, com nomes como Cartier, Bulgari e Tiffany. A herança do varejo e da moda é, na verdade, uma evolução da história. Algumas marcas continuam trabalhando com o conceito de joias, enquanto outras se estenderam para o mercado das semijoias ou, de maneira mais democrática, passaram a comercializar bijuterias.

Assim como na moda, os acessórios também se inspiram em movimentos culturais e históricos para ditar tendências. As franjas, por exemplo, não ficam somente nas bolsas, saias ou blusas. Muitas bijoux já carregaram esse elemento e algumas marcas retornam ao Outono/Inverno 2016 com esse detalhe em destaque. É o estilo folk, inspirado na folk music de nomes como Bob Dylan, e que, vira e mexe, ressurge nas passarelas.

A democratização dos acessórios

Coco Chanel foi a personagem do mundo fashion que transformou a bijuteria em uma peça com cara de joia. “Ela foi super-revolucionária para a época e foi a primeira a usar pérola como acessório e não como peça original. Para a época, é como se Chanel tivesse dado o aval para que outras marcas passassem a desenvolver uma espécie de alta bijuteria. Ela misturava pérolas com colares de ouro como se estivesse desconstruindo valores”, analisa Astrid Sampaio Façanha, professora de História da Moda do Centro Universitário Senac – Santo Amaro. Como a joia tinha apenas um valor simbólico, para Chanel o material era mero detalhe.

Assim, surgiram no varejo novos produtos com cara de joia, democratizando o seu uso em toda a sociedade e, na moda, novos elementos para compor as produções. O uso de materiais menos nobres continua em voga. Astrid menciona marcas como Armani, Dolce & Gabbana e Carolina Herrera, que continuam fazendo uso de materiais semipreciosos como o ouro velho e os cristais. “São bijoux, mas que, por conta da grife, ganham status.

A Morana, que nasceu oferecendo aos consumidores bijuterias com cara de joia, surge no século 21, em 2002, já acompanhando essa tendência do varejo e contribuindo para um consumo democrático das peças seja qual for a ocasião, mas, principalmente, em benefício do seu bem-estar. De acordo com a professora do Centro Universitário Senac, hoje os acessórios carregam uma identidade e ajudam a consumidora a construir o seu “eu”. “Além disso, estamos no ano do empoderamento feminino, e os acessórios têm essa relação de poder”, explica.

Para entendermos melhor essa construção, vale observar o Estudo Setorial Comércio Varejista de Acessórios 2014, realizado pelo Sebrae, que aponta esse comportamento de consumo. O estudo revelou que em média 29% dos consumidores compram acessórios todo mês. Em seguida, aparecem os consumidores que compram a cada dois meses (25%). Os produtos básicos são os que mais atendem às expectativas, para 39,4% dos entrevistados; já as peças atuais são as que mais atendem ao conforto do cliente, para 34,3% dos respondentes. Outro dado interessante é que 48,9% dos entrevistados compram motivados por sentir vontade de se presentear, em substituição a uma peça antiga ou porque lhe faltava algo parecido.

Eles podem ser joias ou bijuterias. O fato é que os acessórios tornam o visual autêntico e despojado e sempre foram importantes na criação da identidade. Isso é exatamente o que ocorre hoje com o fast fashion e as bijoux contemporâneas. O movimento de seguir tendências, que a gente observa frequentemente, não é novo. Ele surgiu no Barroco, mas se intensificou no início do século 20. “Esse é um fenômeno moderno contemporâneo, e as bijoux seguem essa dinâmica.” Segundo Astrid, se a moda e as mudanças estão mais rápidas, as joias e as bijoux também se reinventam com uma velocidade maior.

Voltar